domingo, 14 de setembro de 2008

Coma



O estado de coma não deve ser encarado como uma doença mas sim como um sintoma (ex: de um traumatismo craniano grave) ou a manifestação de uma doença (ex: problema metabólico) ou de uma resposta a um determinado evento (ex: efeito de uma droga ou um tóxico).


Define-se “coma” como um estado de inconsciência, mais ou menos alongado, durante o qual não é possível acordar a pessoa mesmo através de estímulos dolorosos e intensos. Por norma, a pessoa em questão não consegue iniciar qualquer actividade voluntária.


Dependendo da resposta da pessoa aos estímulos externos existem vários estados de coma, podendo verificar-se uma resposta sonora ou motora a estímulos dolorosos e apresentar respostas apenas reflexas.


Causas:

A mais frequente é o traumatismo craniano, outros casos incluem as intoxicações (por álcool, monóxido de carbono, drogas de abuso), alterações metabólicas (coma por doença da tiróide; coma diabético), estado de choque com hipotensão prolongada, infecção envolvendo o sistema nervoso central (meninge ou encefalite), acidente vascular cerebral (isquémico ou hemorrágico) grave.


O que fazer perante uma pessoa em coma:

O estado de coma pressupõe a existência de uma lesão mais ou menos grave no sistema nervoso central pelo que qualquer pessoa que esteja numa situação de coma deve ser encaminhada para o hospital (ligue 112). Estando em coma, a pessoa pode apresentar sinais de dificuldade respiratória, obstrução das vias aéreas (aspecto azulado, respiração ruidosa) e apresenta um elevado risco de aspirar algum vómito para os pulmões. Até à chegada da equipa de emergência médica, deve permanecer-se junto da pessoa que está em estado de coma e proceder de acordo com as indicações que são dadas pelo telefone. Geralmente e se possível, a pessoa deve ser colocada de lado e coberta com um cobertor, principalmente nos meses frios, mas de forma a que se possa verificar se a pessoa está a respirar. Caso a temperatura corporal esteja acima dos 38ºC não deverá ser coberta. Algumas situações de coma podem ser reversíveis, como é o caso do coma diabético por baixa de açúcar (hipoglicemia), nesse caso deve-se preparar uma papa constituída por açúcar e água e aplicar na fase interna da bochecha, no interior da boca da pessoa em coma. Ao encontrar uma pessoa em estado de coma deve-se observar se nas imediações existe algum produto tóxico ou embalagens de medicamentos, pois poder-se-á estar perante um coma provocado por uma intoxicação, a informação quanto aos tóxicos envolvidos pode ser determinante para a posterior resolução da situação.


Escala de Glasgow:

Em 1970 o Nation Institutes of Health, , U.S. Department of Health and Human Services, financiou dois estudos internacionais paralelos. Enquanto um estudou o estado de coma de pacientes com traumatismos cranianos graves, o segundo focalizou-se no prognóstico médico do coma. Os pesquisadores desses estudos desenvolveram o “índice de coma” que posteriormente se transformou na escala de Glasgow.

A escala de coma de Glasgow foi publicada oficialmente por Teasdale e Jennet em 1974, na revista Lancet, como uma forma de se avaliar a profundidade e duração clínica de inconsciência e coma.


Elementos da Escala:


Abertura ocular (AO)

Existem quatro níveis:

4. Olhos abrem-se espontaneamente;

3. Olhos abrem-se ao comando verbal. (Não confundir com o despertar de uma pessoa adormecida; se assim for, marque 4, se não, 3.);

2. Olhos abrem-se por estímulo doloroso;

1. Olhos não se abrem.


Melhor resposta verbal (MRV)

Existem 5 níveis:

5. Orientado. (O paciente responde coerentemente e apropriadamente às perguntas sobre seu nome e idade, onde está e porquê, a data etc.);

4. Confuso. (O paciente responde às perguntas coerentemente mas há alguma desorientação e confusão.);

3. Palavras inapropriadas. (Fala aleatória, mas sem troca conversacional);

2. Sons ininteligíveis. (Gemendo, sem articular palavras.);

1.Ausente.


Melhor resposta motora (MRM)

Existem 6 níveis:

6. Obedece ordens verbais. (O paciente faz coisas simples quando lhe é ordenado.);

5. Localiza estímulo doloroso;

4. Retirada inespecífica à dor;

3. Padrão flexor à dor (decorticação);

2. Padrão extensor à dor (descerebração);

1. Sem resposta motora.


Interpretação


Pontuação total: de 3 a 15

    • 3 = Coma profundo (85% de probabilidade de morte; estado vegetativo);
    • 4 = Coma profundo;
    • 7 = Coma intermediário;
    • 11 = Coma superficial;
    • 15 = Normalidade

Classificação do Trauma cranioencefálico (ATLS, 2005)
    • 3-8 = grave (necessidade de intubação imediata)
    • 9-13 = moderado
    • 14-15 = leve


Escala pediátrica

  • Melhor resposta motora:
  1. Nenhuma resposta.
  2. Extensão (descerebração).
  3. Flexão(decorticação).
  4. Se afasta da dor.
  5. Localiza a dor.
  6. Obedece aos comandos.
  • Melhor resposta verbal:
  1. Nenhuma resposta.
  2. Inquieto, inconsolável.
  3. Gemente.
  4. Choro consolável, interacção adequada.
  5. Sorri, orientado pelo som acompanhando objectos, ocorre interacção.
  • Olhos:
  1. Nenhuma.
  2. Com a dor (ex. leve beliscão).
  3. Com a fala.
  4. Espontâneo.

Sem comentários: