segunda-feira, 27 de outubro de 2008



Contra-capa: A psicóloga criminal Ira está prestes a cometer suicídio. Precisamente nesse momento é chamada a uma emissora de rádio para resolver um caso dramático: um psicopata acaba de fazer reféns e começa a telefonar a diferentes pessoas em directo; estas têm de adivinhar os enigmas que o psicopata lhes indica sob pena de, se não conseguirem resolver, matar os reféns um a um por cada tentativa falhada. O homem exige que a sua noiva compareça na rádio, mas ela está morta. Ira terá que negociar com o criminoso em directo...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Dor torácica


Constitui uma das principais causas pelas quais as pessoas procuram cuidados médicos urgentes. Geralmente a primeira preocupação do paciente é saber se está perante um problema cardíaco, ex: enfarte do miocárdio. Felizmente, nem sempre a dor torácica implica um problema cardíaco. Qualquer órgão ou tecido localizado no tórax pode ser a causa da dor, pulmões, esófago, músculos, costelas, tendões ou nervos, além do coração. Contudo, mesmo que a dor torácica não provenha de um problema cardiovascular pode ser um sinal de outra patologia, que também poderá ser grave, pelo que a procura de cuidados médicos é essencial.


O que considerar como dor torácica?

Qualquer dor ou desconforto localizado na parte da frente do corpo, entre o pescoço e o abdómen, barriga.


Quais as principais causas de dor torácica?

Causas cardíacas:

- Ataque cardíaco (Enfarte Agudo do Miocárdio): sempre que ocorre uma interrupção do fornecimento de sangue e oxigénio ao coração, geralmente por oclusão de uma ou mais artérias coronárias (vasos sanguíneos que conduzem e distribuem sangue pelo músculo cardíaco). A dor é frequentemente semelhante à da angina de peito mas com maior intensidade e duração, descrita como um aperto, opressão, peso na região central do peito (dor constritiva). Essa dor ou desconforto pode irradiar (alastrar-se) para o queixo, costas, ombros e braços (principalmente o esquerdo). Pode surgir associada a outros sintomas como falta de ar, tonturas, suores frios, náuseas e vómitos.

- Angina de peito: surge sempre que o músculo cardíaco não recebe sangue e oxigénio em quantidades suficientes. A angina de peito que algumas pessoas padecem é despertada pelos esforços físicos ou por situações de stress emocional (podendo também ser induzida pelo frio). Consideram-se dois tipos de anginas, estáveis, sempre que são despertadas pelo mesmo grau de esforço ou estímulo habitual, e instáveis, quando surgem de formas inesperadas, aquando um esforço mais ligeiro, ou em repouso (esta é a forma mais perigosa de angina e implica uma observação médica urgente).

- Outras causas cardiovasculares: a inflamação do pericárdio (“saco” que envolve o coração), pericardite. É uma dor geralmente aguda, fraca, na região central do peito, que é caracteristicamente agravada quando o doente se deita de barriga para o ar, melhorando com a posição de sentado. É geralmente auto-limitada no tempo e está na maior parte das vezes associada a uma infecção vírica; Uma causa rara mas muito grave de dor torácica é a dissecção aórtica, ocorre quando as paredes da artéria aorta se separam e sofrem um “rasgão”, passando o sangue a correr entre as mesmas, aumentando esse mesmo “rasgão”. A dissecção aórtica pode surgir após traumatismo do tórax ou estar associada a hipertensão arterial mal controlada. A dor é descrita como intensa, localizada das costas ou peito, sentida, muitas das vezes, como alguma coisa a “rasgar-se dentro do peito”.


Causas não-cardíacas:

- Asma: falta de ar, pieira e tosse;

- Pneumonia (infecção afectando os pulmões);

- Embolia pulmonar (coágulo de sangue numa veia pulmonar); pneumotórax (colapso de uma porção do pulmão); pleurisia (infecção da membrana que reveste os pulmões). Frequentemente nestes casos a dor agrava-se com a inspiração profunda e a tosse e é singularmente aguda;

- Inflamação ou estiramento dos músculos e tendões das costas;

- Zona afectando a parede torácica – devido a lesões cutâneas características com aspecto avermelhado, bolhas e vesículas.

- Ansiedade e hiperventilação (ataques de pânico).

A dor torácica também pode estar relacionada com problemas localizados no tracto digestivo, úlcera gástrica, patologia da vesícula biliar, litíase biliar (areia nas vias biliares), indigestão, azia, refluxo gastroesofágico (quando o ácido do estômago passa para o esófago). A dor relacionada com uma úlcera é geralmente tipo ardência e não melhora após uma refeição. A dor associada a uma patologia biliar piora após uma refeição, principalmente se for rica em gorduras. A dor relacionada com as estruturas da parede torácica (músculos, costelas e nervos) surgem geralmente após algum tipo de traumatismo, esforço ou tosse intensa, a dor é muitas das vezes localizada e despertável com a pressão sobre o local afectado. Frequentemente, estas situações não são graves e podem ser tratadas recorrendo a analgésicos, anti-inflamatórios, gelo e repouso.


O que fazer face a uma dor torácica?

Razões para chamar os serviços de emergência médica:

- Dor súbita constritiva;

- Se a dor irradiar para o maxilar, queixo, braço esquerdo ou para as costas na zona entre os omoplatas;

- Se para além da dor sentir náuseas, tonturas, sudação (produção de suor) excessiva, palpitações (sensação do coração a bater depressa ou de forma irregular) ou falta de ar;

- Se for um doente que sofra de angina de peito mas a dor for inesperada, mais intensa ou durar mais do que o tempo habitual.

- Se a dor for súbita e aguda associada a falta de ar especialmente após um determinado período de imobilização (ex: após uma longa viagem, após uma cirurgia).

Caso não se verifique nenhuma das circunstância acima definidas, o seu médico assistente deverá ser informado se a dor torácica foi associada a febre ou a tosse com expectoração amarelada ou esverdeada. Se a dor torácica persistir por mais de três a cinco dias, deverá consultar o seu médico.


O que esperar na avaliação médica?

Nos serviços de urgência se necessário serão implementadas medidas emergentes para suporte de funções vitais. Na maioria dos casos, será submetido a um exame físico orientado sobretudo para a parede torácica, coração e pulmões, e os sinais vitais (pulso, temperatura, frequência respiratória, pressão arterial) serão avaliados/monitorizados. Alguns exames complementares: ECG em repouso, que poderá ter que ser repetido, analises ao sangue que incluem os chamados marcadores de necrose do miocárdio (proteínas que são libertados pelas células do coração na corrente sanguínea quando há lesão cardíaca), radiografia ao tórax, prova de esforço, ecocardiograma, cateterismo cardíaco, endoscopia digestiva alta. Após oito a doze horas desde o início dos sintomas as análises ao sangue poderão ter que ser repetidas. Poderá ser necessário internamento caso se confirme patologia com gravidade (enfarte agudo do miocárdio, aneurisma da aorta, pneumonia, etc.) ou em caso de dúvida no diagnóstico.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Picadas de insectos



Alguns insectos que existem em Portugal, como as abelhas, vespas e formigas, possuem a capacidade para injectar um veneno quando picam um ser vivo. O veneno é constituído por proteínas que visam paralisar e matar outros insectos. Essas proteínas, ao serem injectadas num ser humano, podem funcionar como alergéneos e desencadear reacções alérgicas. Na maior parte das picadas não se verifica qualquer reacção alérgica, apenas uma reacção local de inflamação (rubor, inchaço, comichão e dor) que se resolve com a limpeza da zona, remoção do ferrão e aplicação de gelo. Mesmo em pessoas alérgicas, as reacções a picadas desencadeadas são geralmente ligeiras. Contudo, algumas pessoas mais susceptíveis ou expostas a maior quantidade de veneno (ex: múltiplas picadas de abelhas) podem desenvolver reacções mais graves e até mesmo um choque anafiláctico.


Quando procurar cuidados médicos?

Dependerá da gravidade e da evolução da picada de insecto. Perante manifestações ligeiras como comichão e um inchaço, localizados, deverá ser contactado um médico para aconselhamento, sendo sugerido que faça limpeza da área e aplicação de frio. O agravamento de sintomas e sinais locais ao longo de vários dias podem indicar o aparecimento de uma infecção local. A existência de dor, aumento do inchaço e vermelhidão e calor no local são altamente sugestivos de infecção. Nessas circunstancias, deverá consultar um médico assim que possível. Caso apresente sinais de maior gravidade, sugestivos de uma reacção anafiláctica, deve recorrer ao serviço de urgência, sobretudo se já tem antecedentes de reacção alérgica a picadas de insectos.


O que fazer em casa?

Se ainda estiver na presença de insectos, depois de ter sido picada, deve afastar calmamente os insectos da sua pele e tranquilamente abandonar o local o mais rápido possível. Se o ferrão estiver ainda na sua pele, deve tentar remove-lo raspando com uma lâmina ou com o bordo de um cartão aplicado na perpendicular à pele. Não tentar remover o ferrão com os dedos pois assim poderá injectar mais veneno. Controlar o inchaço local, aplicando gelo e elevando o membro afectado, se possível. Controlar a dor com analgésicos e anti-inflamatórios (ex: paracetamol ou ibuprofeno). Caso tenha medicamentos anti-histamínicos que tenha tomado no passado, poderá começar a tomá-los. Se não ocorrem sinais de alarme (ver capítulo Alergias) esperar até dois a cindo dias para resolução completa dos sintomas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Alergia


Definição: uma reacção alérgica representa uma manifestação de uma resposta imunológica excessiva por parte do organismo face a uma substância ou produto que geralmente é pouco ou nada nociva. Essa reacção excessiva também é designada por reacção de hipersensibilidade (ou anafiláctica).



O que pode desencadear uma alergia?

À substância que tem a capacidade de activar o sistema imunológico e assim dar origem a uma reacção alérgica dá-se o nome de alergéneo. Todo o tipo de substâncias ou produtos podem ser alergéneo. Os exemplos mais comuns são o pó, o pólen, plantas, medicamentos, venenos de insectos, vírus, bactérias, produtos químicos, derivados de sangue usados em transfusões e alguns alimentos.



Como se manifesta uma alergia?

Podem surgir desde manifestações ligeiras até situações graves e potencialmente fatais. As manifestações de alergia podem assim ser localizadas, ex: pequena erupção cutânea ou comichão nos olhos, ou então generalizadas com atingimento da pele em todo o corpo, falta de ar e diarreia.

Sinas e sintomas usuais numa reacção alérgica:

- A nivel pulmonar/respiratório: falta de ar, tosse;

- Na pele: vermelhidão, rubor, comichão (prurido), bolhas, borbulhas, manchas vermelhas;

- Nariz: nariz entupido, escorrência nasal, espirros frequentes e recorrentes.

- Olhos: comichão, olhos vermelhos, inchaço;

- Cabeça: inchaço (edema) da face, dos lábios, da língua; dores de cabeça;

- Abdómen/digestivas: dores de barriga, enjoo, vómitos, diarreia, cólicas.



O termo anafilaxia geralmente utiliza-se quando se pretende designar uma reacção alérgica que se manifesta por vários sintomas, ocorrendo combinação de forma súbita, com uma evolução rápida e progressiva e potencialmente grave. Uma forma de gravidade extrema é o choque anafiláctico. Em termos médicos, uma pessoa está em choque sempre que os órgãos não estão a receber sangue de forma adequada devido a valores de pressão arterial anormalmente baixos. Uma situação de choque anafiláctico pode conduzir à morte, se não for tratada prontamente. A vítima de choque anafiláctico pode estar pálida ou congestionada, por vezes muito suada, confusa, ansiosa, agitada ou em coma. A respiração pode ser ruidosa ou efectuar-se com sinais de dificuldade. Trata--se de uma situação potencialmente perigosa e por isso requer a chamada dos serviços de emergência médica.


Quando procurar assistência médica?

Dado que as reacções alérgicas podem progredir rapidamente para sintomas graves, todas as situações, excepto aquelas muito ligeiras e com manifestações muito localizadas, devem ser avaliadas por um médico. O médico deverá ser informado caso ocorra alguma reacção alérgica atribuída a um medicamento por ele prescrito. Se a reacção alérgica for inicialmente ligeira mas ocorrer um agravamento progressivo ao longo de vários dias, mesmo com o tratamento prescrito e remoção do alergéneo, deverá consultar o seu médico.

Situações que implicam o recurso imediato a um serviço de urgência:

- Inchaço dos lábios, língua ou garganta;

- Pieira, falta de ar, tosse;

- Erupção cutânea generalizada;

- Sintomas súbitos, graves ou com agravamento rápido;

- Alterações neurológicas como confusão mental;

- Enjoo, vómito;

- Colapso e perda de consciência;


Cuidados a ter em casa:

O principal cuidado a ter em casa é evitar o contacto com alergéneos através dos quais já teve reacções alérgicas. A alguns pacientes com história de reacções anafilácticas graves no passado podem ser prescritas injecções de adrenalina, para utilização em caso de emergência, quando apresentam sinais sugestivos de reacção grave e enquanto aguardam a chegada ao hospital ou dos serviços de emergência médica. As reacções ligeiras e localizadas podem ser tratadas recorrendo a medicamentos de venda livre contendo anti-histamínicos. Alguns desses medicamentos podem causar sono. Pode-se aplicar um saco com gelo ou toalha molhada sobre reacções cutâneas pequenas e localizadas.


Tratamento hospitalar:

Para além de se assegurar a remoção do alergéneo, o tratamento passa pelo suporto das funções vitais e pela administração de diversos medicamentos como anti-histamínicos, corticoesteróides (vulgo de cortisona) e adrenalina (nos casos mais graves). Após resolução da reacção e sobretudo se esta foi grave, o doente poderá ser enviado a uma consulta de imunoalergologia (especialidade médica que estuda e trata doenças do sistema imunológico e associadas a alergias) para realização de estudos adicionais.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Convulsões



O cérebro controla as respostas motoras através de mensagens de origem electroquímica que percorrem os nervos até às células motoras. Observamos no dia-a-dia que movimentos como levantar um braço e flectir uma perna são realizados de forma consciente pela maioria das pessoas, o que pressupõe a existência de uma actividade eléctrica cerebral normal. As convulsões surgem quando ocorre uma súbita alteração da actividade eléctrica cerebral normal. Dependendo da causa e da área lesada do cérebro, as convulsões podem ser de diversos tipos. São designadas por convulsões focais ou parciais quando afectam apenas uma parte do cérebro e generalizadas quando o cérebro está envolvido na sua totalidade. As convulsões caracterizam-se pelo movimento descontrolado de um ou vários segmentos do corpo pelo que observando os segmentos envolvidos é previamente possível enquadrar a convulsão num dos dois tipos acima referidos. Além de poderem ser focalizadas ou generalizadas, a pessoa pode estar consciente ou não aquando a sua ocorrência, pelo que se designam respectivamente por convulsões simples ou complexas. Qualquer pessoa saudável pode vir a sofrer uma convulsão sob algumas condições contudo, os primeiros episódios de convulsão devem implicar uma avaliação médica. Geralmente têm pouca duração; sempre que possuam duração superior a 5min ou não exista uma recuperação de consciência por parte da pessoa entre vários episódios constituem uma emergência médica. Nas pessoas que sofrem de epilepsia é frequente a ocorrência de convulsões. Contudo, nem todas as pessoas que sofrem uma crise convulsiva são epilépticas.


Quais as causas possíveis:
- Epilepsia;

- Traumatismo craniano;

- Infecção do Sistema Nervoso Central (abcesso cerebral, encefalite e meningite);

- Tumor cerebral;

- Hemorragia cerebral;

- Trombose cerebral;
- Eclampsia (convulsões que ocorrem no terceiro trimestre de gravidez associadas à hipertensão).


Algumas outras situações médicas que “irritem” as células cerebrais podem originar uma convulsão:

- Alterações metabólicas (ex: baixa de açúcar, insuficiência renal, excesso de produção de hormona da tiróide);

- Alguns medicamentos ou drogas (alguns antibióticos, drogas estimulantes, cocaína);

- A abstinência súbdita de consumo de bebidas alcoólicas em indivíduos alcoólicos;

- Febres elevadas (sobretudo em crianças).


O que fazer face a uma convulsão?

A maior parte das convulsões é auto-limitada, ou seja, pára sem qualquer intervenção e não deixa sequelas permanentes. Contudo podem surgir algumas complicações durante a crise:

- Traumatismos devidos a alguma queda e aos movimentos convulsivos;

- Aspiração de vómito, comida, objectos ou líquido para os pulmões;

- Incapacidade para respirar adequadamente e assim receber oxigénio de forma adequada.


Perante uma pessoa em convulsão, deve-se:

- Tentar manter a calma;

- Prestar atenção ao que se passa com a pessoa para depois poder descrever ao pessoal da equipa de emergência e aos médicos;

- Não tentar segurar/prender impedindo os movimentos convulsivos;

- Não colocar nenhum objecto ou os dedos entre os dentes da vítima em convulsão;

- Não tentar mover a pessoa, a não ser que esta esteja em local ou condição perigosa;

- Não tentar obrigar a pessoa a parar a convulsão;

- Tentar proteger a pessoa, evitando possíveis traumatismos, afastando móveis e objectos que possam magoar a vítima e se possível colocá-la de lado;

- Tentar cronometrar o tempo de duração da convulsão;

- Não tentar dar nada pela boca até que a convulsão tenha parado e a pessoa esteja totalmente consciente.

- Não se deve impedir a pessoa de descansar após a crise, esta poderá apresentar sinais de inquietação e de desorientação durante a fase de recuperação.



Quando levar ao hospital?

Caso uma pessoa, que já possua uma história conhecida de epilepsia, tenha uma convulsão de curta duração e em que não decorra nenhum traumatismo importante ou aspiração de vómito, não é necessário conduzir essa pessoa para o hospital, contudo, o médico responsável pelo tratamento da epilepsia do doente deve ser notificado para que possam ser feitos os ajustes necessários à medicação.


Sempre que:

- Seja o primeiro episódio de convulsão;

- A crise seja prolongada (>5min);

- A pessoa se mantenha confusa ou desorientada num período superior a 10-15min após terminar a convulsão;

- Não ocorra recuperação do estado de consciência após a crise;

- Se manifestem sinais de dificuldade em respirar;

- A pessoa sofra algum traumatismo durante a convulsão.


(ligar 112)


Avaliação Hospitalar:

Para além da história clínica e do exame físico do doente, é de esperar que o médico que procede à avaliação do paciente procure obter informações sobre o tipo de convulsão (se o doente esteve ou não consciente durante a crise, que partes do corpo se moveram compulsivamente, onde começaram os movimentos convulsivos, qual a duração da crise, quantas crises, etc). Diversos estudos poderão ter que ser efectuados, como: análises sanguíneas, TAC cerebral, electroencefalograma, punção lombar. O tratamento dependerá do tipo de convulsão e das causas subjacentes.


Prognóstico:

Depende da causa da convulsão e também da resposta ao tratamento do indivíduo. A maioria das convulsões devidas a medicamentos, drogas e traumatismos cranianos ligeiros não carece de tratamento especifico e não implica que a pessoa passe a padecer de epilepsia. A maioria das outras causas de convulsões pode ser tratada de forma eficaz recorrendo a diversos fármacos actualmente disponíveis e sempre que possível ao tratamento da causa subjacente. São raras as situações em que as crises convulsivas são difíceis de controlar com os medicamentos disponíveis.


domingo, 14 de setembro de 2008

Coma



O estado de coma não deve ser encarado como uma doença mas sim como um sintoma (ex: de um traumatismo craniano grave) ou a manifestação de uma doença (ex: problema metabólico) ou de uma resposta a um determinado evento (ex: efeito de uma droga ou um tóxico).


Define-se “coma” como um estado de inconsciência, mais ou menos alongado, durante o qual não é possível acordar a pessoa mesmo através de estímulos dolorosos e intensos. Por norma, a pessoa em questão não consegue iniciar qualquer actividade voluntária.


Dependendo da resposta da pessoa aos estímulos externos existem vários estados de coma, podendo verificar-se uma resposta sonora ou motora a estímulos dolorosos e apresentar respostas apenas reflexas.


Causas:

A mais frequente é o traumatismo craniano, outros casos incluem as intoxicações (por álcool, monóxido de carbono, drogas de abuso), alterações metabólicas (coma por doença da tiróide; coma diabético), estado de choque com hipotensão prolongada, infecção envolvendo o sistema nervoso central (meninge ou encefalite), acidente vascular cerebral (isquémico ou hemorrágico) grave.


O que fazer perante uma pessoa em coma:

O estado de coma pressupõe a existência de uma lesão mais ou menos grave no sistema nervoso central pelo que qualquer pessoa que esteja numa situação de coma deve ser encaminhada para o hospital (ligue 112). Estando em coma, a pessoa pode apresentar sinais de dificuldade respiratória, obstrução das vias aéreas (aspecto azulado, respiração ruidosa) e apresenta um elevado risco de aspirar algum vómito para os pulmões. Até à chegada da equipa de emergência médica, deve permanecer-se junto da pessoa que está em estado de coma e proceder de acordo com as indicações que são dadas pelo telefone. Geralmente e se possível, a pessoa deve ser colocada de lado e coberta com um cobertor, principalmente nos meses frios, mas de forma a que se possa verificar se a pessoa está a respirar. Caso a temperatura corporal esteja acima dos 38ºC não deverá ser coberta. Algumas situações de coma podem ser reversíveis, como é o caso do coma diabético por baixa de açúcar (hipoglicemia), nesse caso deve-se preparar uma papa constituída por açúcar e água e aplicar na fase interna da bochecha, no interior da boca da pessoa em coma. Ao encontrar uma pessoa em estado de coma deve-se observar se nas imediações existe algum produto tóxico ou embalagens de medicamentos, pois poder-se-á estar perante um coma provocado por uma intoxicação, a informação quanto aos tóxicos envolvidos pode ser determinante para a posterior resolução da situação.


Escala de Glasgow:

Em 1970 o Nation Institutes of Health, , U.S. Department of Health and Human Services, financiou dois estudos internacionais paralelos. Enquanto um estudou o estado de coma de pacientes com traumatismos cranianos graves, o segundo focalizou-se no prognóstico médico do coma. Os pesquisadores desses estudos desenvolveram o “índice de coma” que posteriormente se transformou na escala de Glasgow.

A escala de coma de Glasgow foi publicada oficialmente por Teasdale e Jennet em 1974, na revista Lancet, como uma forma de se avaliar a profundidade e duração clínica de inconsciência e coma.


Elementos da Escala:


Abertura ocular (AO)

Existem quatro níveis:

4. Olhos abrem-se espontaneamente;

3. Olhos abrem-se ao comando verbal. (Não confundir com o despertar de uma pessoa adormecida; se assim for, marque 4, se não, 3.);

2. Olhos abrem-se por estímulo doloroso;

1. Olhos não se abrem.


Melhor resposta verbal (MRV)

Existem 5 níveis:

5. Orientado. (O paciente responde coerentemente e apropriadamente às perguntas sobre seu nome e idade, onde está e porquê, a data etc.);

4. Confuso. (O paciente responde às perguntas coerentemente mas há alguma desorientação e confusão.);

3. Palavras inapropriadas. (Fala aleatória, mas sem troca conversacional);

2. Sons ininteligíveis. (Gemendo, sem articular palavras.);

1.Ausente.


Melhor resposta motora (MRM)

Existem 6 níveis:

6. Obedece ordens verbais. (O paciente faz coisas simples quando lhe é ordenado.);

5. Localiza estímulo doloroso;

4. Retirada inespecífica à dor;

3. Padrão flexor à dor (decorticação);

2. Padrão extensor à dor (descerebração);

1. Sem resposta motora.


Interpretação


Pontuação total: de 3 a 15

    • 3 = Coma profundo (85% de probabilidade de morte; estado vegetativo);
    • 4 = Coma profundo;
    • 7 = Coma intermediário;
    • 11 = Coma superficial;
    • 15 = Normalidade

Classificação do Trauma cranioencefálico (ATLS, 2005)
    • 3-8 = grave (necessidade de intubação imediata)
    • 9-13 = moderado
    • 14-15 = leve


Escala pediátrica

  • Melhor resposta motora:
  1. Nenhuma resposta.
  2. Extensão (descerebração).
  3. Flexão(decorticação).
  4. Se afasta da dor.
  5. Localiza a dor.
  6. Obedece aos comandos.
  • Melhor resposta verbal:
  1. Nenhuma resposta.
  2. Inquieto, inconsolável.
  3. Gemente.
  4. Choro consolável, interacção adequada.
  5. Sorri, orientado pelo som acompanhando objectos, ocorre interacção.
  • Olhos:
  1. Nenhuma.
  2. Com a dor (ex. leve beliscão).
  3. Com a fala.
  4. Espontâneo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Desmaio (síncope)

A perda temporária do estado de consciência, à qual se segue a perda da postura, é denominada cientificamente por síncope. A síncope resulta de uma diminuição abrupta e transitória do fornecimento de sangue ao cérebro, geralmente é de curta duração e a pessoa recupera o estado neurológico normal quase de imediato, podendo no entanto passar por um breve período de confusão. Estima-se que 1/3 das pessoas virá a sofrer uma síncope em alguma altura da sua vida, a sua prevalência aumenta com a idade. Não deve ser confundida com a chamada morte súbita cardíaca, situação em que ocorre também uma perda de consciência mas na qual o indivíduo pode morrer são não for assistido imediatamente.


A síncope pode ser precedida pelos seguintes sintomas: tonturas, náuseas, palpitações, visão turva e sensação de desequilíbrio na marcha. Sempre que surgem um ou vários sintomas premonitórios e não chega a ocorrer a perda da consciência estamos perante uma pré-síncope ou lipotímia.

É necessário prestar uma atenção redobrada a síncopes que surgem com o exercício, a síncopes associadas a batimentos cardíacos irregulares e se a família tiver um historial clínico de síncopes de repetição ou morte súbita cardíaca pois, podem estar associadas a patologias com alguma gravidade.


Causas:

Qualquer situação que impeça o normal fornecimento de sangue oxigenado ao cérebro ainda que por breves momentos. Exemplos: stress emocional, dor intensa, alterações súbitas da posição/postura, excesso de calor, transpiração excessiva., desidratação e exaustão, episódios de tosse intensa ou estar associada a patologias cardíacas, neurológicas, psiquiátricas, pulmonares ou metabólicas. Alguns medicamentos como a medicação utilizada no tratamento da hipertrofia prostática podem estar associados a um risco aumentado de síncope.


Podem estar divididas em:

- Causas não-cardíacas: aquelas que não envolvem directamente o coração, são as mais comuns e as mais benignas, englobam a síncope vasovagal (ou síncope neurocardiogénica, constitui o tipo mais comum, surge sempre quando irrompe uma descida súbita da pressão arterial; Quando uma pessoa está na vertical a força da gravidade tende a impulsionar o sangue para os membros inferiores, em situações normais o sistema nervoso autónomo e o coração contrariam essa tendência e mantêm a pressão arterial contudo essa regulação pode falhar, originando-se assim uma situação de hipotensão e com ela uma síncope. Em doentes que sofrem de hipotensão ortostática, diminuição da pressão arterial aquando na vertical, este tipo de síncope é mais comum.), a síncope situacional (ocorre em determinadas circunstâncias: stress emocional intenso, estado de ansiedade, raiva, medo, uso de álcool e outras drogas, a hiperventilação associada ao pânico ou ansiedade, a tosse forçada, o uso do colarinho apertado ou a micção ( acto de urinar).), a síncope postural (associada a uma descida rápida da pressão arterial que surge em resposta a uma rápida mudança de posição. Alguma medicações: antidepressivos, para a hipertensão e para próstata bem como a desidratação potenciam a sua ocorrência.) e a síncope neurológica (devido a um acidente neurológico como uma convulsão, trombose, acidente isquémico transitório, enxaquecas, etc uma pessoa pode sofrer uma perda de consciência que poderá ser confundida com uma síncope.).

-Causas cardíacas: devido a uma perturbação que afecte directamente um vaso sanguíneo (obstrução, dissecção, ruptura da aorta), uma válvula cardíaca (aperto da válvula aórtica) ou o ritmo cardíaco (arritmia). As arritmias englobam situações em que se verificam alterações do ritmo cardíaco normal na sua frequência e/ou regularidade. Podemos ter síncopes quando o coração bate muito devagar (bradicardia), devido a um bloqueio cardíaco, ou quando o coração bate muito depressa (taquicardia).


Quando procurar cuidados médicos?

Na maioria dos casos os principais riscos são aqueles que decorrem do perigo de lesão traumática resultante da queda que pode ocorrer no momento da síncope. Contudo, uma vez que podem manifestar-se como um sinal de uma patologia mais séria, é importante que se procurem cuidados médicos após a sua ocorrência. A sua avaliação deverá ser urgente caso:

- Seja precedida ou associada a dor torácica;

- Se ocorrer durante exercício físico;

- Se ocorrerem múltiplos episódios num curto espaço de tempo (síncope de repetição);

- Se estiver associada a falta de ar;

- Se o batimento cardíaco for muito lento;

- Se acontecer após a perda de sangue importante;

- Se originar lesão traumática significativa.


Avaliação médica:

O principal objectivo é determinar qual o mecanismo associado à síncope e se existe doença cardíaca estrutural ou arritmia que coloquem a pessoa em risco de sofrer uma morte súbita cardíaca. A maioria da população que sofre de episódios de síncope não sofre de doenças cardíacas estruturais nem de arritmias pelo que não necessitam de uma avaliação exaustiva. Na maioria da situações uma história clínica adequada e uma avaliação física cuidada, incluindo a avaliação da pressão arterial e frequência cardíaca com a pessoa deitada e em pé, é suficiente. Estudos adicionais só serão efectuados se houver algum indício de maior gravidade na história clínica e no exame físico (ex: sopro cardíaco), se a pessoa tiver doença cardíaca conhecida ou se tiver mais de 50 anos.


Estudos que podem ser efectuados para o esclarecimento de uma síncope:

- ECG em repouso;

- Monitorização do ECG em ambulatório (Holter de 24 ou 48 horas);

- Um registo de eventos (recorrendo a um pequeno registador portátil do ritmo cardíaco e que pode ser activado para gravar o ECG quando ocorre uma síncope)

- Ecocardiograma;

- Prova de esforço;

- Teste de Tilt (a pessoa é colocada numa cama que vai sendo inclinada em vários ângulos enquanto são registadas a frequência cardíaca e pressão arterial. A resposta da pessoa à mudança de posição pode esclarecer sobre o mecanismo da síncope);

- Estudo electrofisiológico (realiza-se através da colocação de um cateter através de uma veia até chegar ao coração e aí fazer um registo directo da actividade eléctrica cardíaca).

Mesmo após um estudo adequado em 1/3 dos casos não é possível descobrir a causa(s) da síncope.


Prognóstico:

Dependerá da causa da síncope, na maioria dos casos não existe o risco acrescido de morte súbita cardíaca ou redução da esperança média de vida.


domingo, 31 de agosto de 2008

Dor de cabeça


Dor de Cabeça = Cefaleia

Consideram-se: cefaleias primárias ( não são provocadas por nenhuma doença) e cefaleias secundárias ( são provocadas, ou surgem associadas, por doenças ou condições mais ou menos graves (ex: tumores cerebrais, embora menos frequentes, vulgo de AVC ou tromboses, meningites e hemorragias; abstinência de cafeína, suspensão de medicamentos analgésicos, período menstrual, sinusite...)

As cefaleias podem surgir em contexto misto, como é o caso das enxaquecas despertadas por cefaleias de tensão ou cefaleias secundárias.

Cefaleias primárias:
- Cefaleias de tensão (não possuem qualquer relação com a hipertensão arterial): constituem a causa mais comum de cefaleia; resultam da contracção/contractura e tensão sobre os músculos dos ombros, pescoço e maxilares; stress, sono insuficiente, depressão, ansiedade, consumo de álcool ou droga potenciam o aparecimento deste tipo de cefaleia. Afecta, geralmente, ambos os lados da cabeça e a dor começa, frequentemente, na região anterior. A dor caracteriza-se como uma moedeira ou aperto não muito intenso, raramente se associa a enjoo, vómitos e à dificuldade em encarar a luz (fotofobia). São cefaleias que ocorrem esporadicamente. Raramente são incapacitantes.
- Enxaquecas: são cefaleias intensas e recorrentes muitas das vezes associadas a outros sintomas como enjoo, alterações visuais, arrefecimento das mãos e pés e sensibilidade aumentada aos ruídos e à luz. Começam num lado da cabeça embora possam alastrar a ambos. A dor é descrita comummente como “martelar a cabeça”. Irritabilidade, fadiga, sonolência, vontade exagerada de ingerir alimentos doces e salgados podem ser sintomas que antecedem uma crise. Em 20% dos casos surge associada a uma “aura”, o tipo de aura mais frequente é visual (sensações de luzes a brilhar ou piscar) mas podem ocorrer alucinações auditivas e a sensação de formigueiro nos braços e pernas. Uma crise pode oscilar entre 4 a 72 horas.
- Cefaleias em cacho (tipo Cluster): cefaleias raras que afectam sobretudo homens entre os 28-30 anos embora possa ter inicio na infância. Referidas como uma dor aguda muito intensa que tende a ocorrer várias vezes ao longo do dia durante meses e depois deixa de ocorrer durante um período de tempo sobreponível.

Risco neurológico:
As cefaleias de tensão e em cacho nunca foram associadas a qualquer lesão neurológica. Isto também é, geralmente, verdade nas enxaquecas embora exista uma associação rara com o risco de vir a sofrer um acidente vascular isquémico (trombose) sobretudo nas formas mais complicadas de enxaqueca.

O que fazer em casa?
Quem sofre frequentemente de cefaleias deve ter um diário de forma a facilitar a identificação das situações ou factores que possam ser a causa ou desencadeiem os sintomas (podem ser alimentos, stress, menos horas de sono etc). A dor pode ser aliviada com descanso dos olhos e cabeça bem apoiada, no caso das cefaleias de tensão uma massagem ou calor aplicado nas costas ou pescoço pode ajudar no alívio. Alguns medicamentos de venda livre como o paracetamol, acido acetilsalicílico e o ibuprofeno podem ser úteis no tratamento da dor. No caso de enxaquecas utilizam-se também outros medicamentos analgésicos como o naproxeno. Caso os medicamentos de venda livre não sejam eficazes deve consultar o seu médico e no caso de as dores serem frequentes poderão ser prescritos alguns antidepressivos, fármacos do tipo bloqueadores beta ou bloqueadores de cálcio (utilizados comummente em situações de doenças cardíacas ou hipertensão arterial) e medicamentos para o tratamento da epilepsia.

Caso se verifiquem os seguintes sintomas e não possa contactar o seu médico imediatamente deve recorrer a um serviço de urgência ou ligar o 112:
- Se a dor de cabeça surgir subitamente e for de intensidade extrema ou violenta.
- Caso sinta que a sua dor é a pior que alguma vez teve.
- Se a dor se associar a dificuldade na fala, alterações visuais, dificuldade em realizar movimentos com braços e pernas, perda de equilíbrio, confusão ou perda de memória.
- Se a dor se agravar progressivamente num período de 24horas.
- Se a dor de cabeça for acompanhada por febre, rigidez do pescoço, náuseas e vómitos.
- Se a dor de cabeça surgir após traumatismo craniano.
- Se a dor de cabeça foi intensa e localizada sobre um olho que se apresente vermelho.
- Se tiver mais de 50 anos e a dor de cabeça for associada a perda de visão e dificuldade com a mastigação.

Consultar o seu médico logo que possível:
- Se a dor de cabeça o acordar do sono.
- Se a dor de cabeça tiver uma duração superior a alguns dias.
- Se as dores de cabeça forem piores durante a manhã.
- Se as dores de cabeça forem habituais mas ocorrem alterações no padrão e na intensidade.
- Se as dores de cabeça forem frequentes e não tiverem causa conhecida.

O que esperar da avaliação efectuada no seu médico ou hospital: baseada na recolha da sua história clínica, evolução dos sintomas e resposta aos tratamentos efectuados. Por certo será sujeito a um exame físico que inclui a avaliação do estado e funcionamento do sistema neurológico. Podem ser requisitados os seguintes exames complementares: Tomografia Axial Computorizada (TAC) cerebral; Ressonância magnética (RM) cerebral; Radiografia dos seios peri-nasais; Punção Lombar (picada com uma agulha na parte inferior da coluna de forma a obter uma amostra do líquido que envolve o cérebro e as membranas, meninges).

Prevenção:
Dormir um número adequado de horas
Alimentação saudável
Actividade física regular
Exercícios de relaxamento e alongamento muscular
Cuidado em manter uma postura adequada no local de trabalho
Abandono de hábitos tabágicos